Casa Bordados da Madeira
— desde 1965 —

Corria o ano de 1964, e Eduardo Januário acabava de chegar ao cais da Rocha com duas pesadas malas. O percurso era o habitual: depois do Cais da Rocha dirigir-se-ia ao Cais de Alcântara, navegando o mar de gente que pontualmente desembarcava em Lisboa. Nas malas estavam peças de origem portuguesa, bordados da Madeira da mais alta qualidade, que os visitantes da cidade não hesitavam em levar, como se destilações do nosso talento lusitano se tratassem. Tal era a procura por este tipo de peças que a ideia de montar um espaço físico que as comercializasse, rapidamente assaltou Eduardo. Dito e feito, em 1965 abriu nos Restauradores, uma loja que reverbera até aos dias de hoje na história da cidade, a casa Bordados da Madeira.

Durante muitos anos o nosso empreendedor elevou o negócio a novos patamares, até que a sua filha, Fátima, tomou as rédeas do negócio. O negócio continuou a crescer, mas Fátima sentiu necessidade de ter um apoio para lidar com a faturação crescente e contabilidade em geral, oferecendo, para isso, sociedade a António Jorge. António, técnico de contas de profissão, rapidamente aceitou e envolveu-se neste novo universo, cujos tecidos assumem pormenores impossíveis, em motivos de beleza intrínseca que se moldam face à mestria de quem os borda. Anos mais tarde, o neto do fundador e filho de Fátima, também ele Eduardo Januário, continua o percurso que o avô iniciou.

Os nossos três empreendedores souberam dar resposta às novas realidades de consumo, ao expandir a oferta do estabelecimento para incluir bordados dos Açores e de Viana do Castelo. De Coimbra chega-nos também louça pintada à mão, ao estilo do século XVII/ XVIII, assim como do Alentejo e de Leça das Caldas. A Vista Alegre tem a sua presença com a louça Bordalo Pinheiro, marca que adquiriu recentemente. Na vertente da indumentária, a Casa Bordados da Madeira, passou também a alugar trajes regionais, muito requisitados para eventos, como por exemplo casamentos, em que se mantêm vivas tradições centenárias. A qualidade e fidelidade produzida no estabelecimento concedeu-lhes ainda a honra de trajar a Miss Universo portuguesa e bordar lenços usados pelo Papa, com as suas iniciais, levando as nossas tradições além mar. Os clientes são maioritariamente estrangeiros, em especial africanos, japoneses e russos, mas os próprios portugueses também apreciam a qualidade ímpar do estabelecimento.

Recentemente, o negócio teve de se deslocar para a Rua de S. Paulo, nº 85-87 face à renda incomportável que era exigida aos proprietários. Fátima, António e Eduardo ficaram para sempre com aquela terna recordação dos Restauradores, mas souberam abraçar de alma e coração a nova localização, conhecida eternamente pela rua das máquinas, dada a panóplia de maquinaria industrial que sempre a populou. Este pedaçinho lisboeta é, também ele, repleto de uma rica história. António, nascido e criado em Lisboa, relembra os mercados abastecedores e todo o seu burburinho, relembra os vendedores que vinham descarregar mercadoria carroças com a plataformas a roçar o chão para permitir cargas impossíveis, durante a noite. Hoje em dia, a rua faz uma ponte com o Bairro Alto através do Elevador da Bica, sendo um ponto de passagem praticamente obrigatório para quem visita Lisboa.

A casa Bordados da Madeira veio ocupar um local que já albergou uma empresa de máquinas industriais, um stand de automóveis, uma casa de venda de plástico e uma casa de antiguidades... Venha conhecer este novo local da Casa Bordados da Madeira, o vibrante nº85-87 da Rua de S. Paulo, repleto de saber-fazer português.  
Casa Bordados da Madeira

 

2018-08-20T10:08:02+00:00