Anabela Cardoso
— desde 1998 —

O azulejo sempre foi uma janela que permitiu vislumbrar o rico passado da nossa cultura. Cenários variados da nossa história podem ser apreciados na arte de Anabela Cardoso, cuja oficina situada na Calçada de São Vicente, nº 62, teima em combater aquela figura tão incontornável nas nossas vidas, o Sr. tempo.

Anabela iniciou cedo a sua aprendizagem. Com apenas 17 anos começou a trabalhar na oficina do mestre Angelo, em Verdizela , na Fonte da Telha. Frequentou a escola artística António Arroio e, ao longo da sua vida, desempenhou diversas funções e cargos. Dominou a representação da figura avulsa, padrões, albarradas e o evoluir da sua perícia inspirou-a a abrir a sua primeira oficina na Rua Martins Moniz há cerca de 20 anos atrás. Enfim, desde que descobriu este mundo, não se vê a fazer outra coisa. Há cerca de seis anos resolveu abrir a loja atual, com o seu nome.

O principal trabalho desempenhado na oficina centra-se no restauro de azulejos, uma tarefa que requer partes iguais de talento e perseverança. Segundo Anabela, o restauro não pode destoar da obra original. Os seus azulejos, como gosta de colocar comicamente, "não podem estar a gritar que não pertencem ali". Existe, portanto, todo um cuidado para se certificar, por exemplo, de que os tons de tinta sejam similares, que as imperfeições da obra original sejam replicadas... Recriar os motivos nem sempre é fácil, mas com a ajuda da sua vasta experiência, assim como material de referência, Anabela garante sempre um trabalho de qualidade. De notar que a função de retirar e reaplicar azulejos não é contemplado pela loja, até porque, as empresas que o fazem, são no fundo, um dos principais clientes de Anabela, criando desta forma uma sinergia importante para a preservação do património cultural português

A casa, porém, não funciona exclusivamente com restauro. Abre também alegremente as portas à arte da criação e muitas são as que já saíram das mãos hábeis de Anabela. Faz uso de várias técnicas milenares, nomeadamente desenho picotado no azulejo, molde em gesso (azulejo hispano-árabe) e a corda-seca. A casa dispõe ainda de duas muflas para o processo de cozedura dos azulejos que por lá passam. Até agora a maior encomenda foi um painel para o estrangeiro, contudo, o negócio também responde a muitas encomendas e visitas lusitanas. Aliás, entrar na loja pode ser, por vezes, um desafio. A arte do azulejo sentiu, felizmente, um reavivar nestes últimos anos o que torna o estabelecimento bastante requisitado.

Venha conhecer e experienciar ao vivo este saber tão português, trazido até nós pela mestria de Anabela.  
Anabela Cardoso

 

2018-08-06T13:58:04+00:00