Ginjinha sem Rival
— desde 1890 —

Costuma-se dizer que quem diz a verdade não merece castigo. No caso de João Manuel Lourenço Cima, fundador da Ginja Sem Rival, por volta de 1890, a velha máxima não podia ser mais correta, pois, até hoje, este é um negócio que continua a fascinar os mais acérrimos apreciadores de ginja. Situado desde sempre no nº 7 da rua das Portas de Santo Antão, num edifício cujo dono era o icónico Vasco Santana, o estabelecimento é muitas vezes referenciado pelo nome da própria rua e tem um definitivo crivo familiar. Ao fazer recuar o relógio, chegamos à atividade que catalisou a criação da marca: a produção de licores e xaropes, feitos com grande mestria por João Manuel Lourenço Cima, bisavô de Nuno Gonçalves, que hoje nos conta a história da casa. Tal era a confiança na ginja que produzia que, até aos dias de hoje, o rótulo da garrafa menciona que 'Esta casa nunca concorreu a nenhuma exposição nacional nem estrangeira'. Pode parecer paradoxal mas é, na verdade, um reflexo de quem não precisa de 'provar' que a sua ginja é mesmo boa. A receita original, que ainda hoje se usa na produção artesanal do licor, é testemunho disso mesmo.

A afamada marca foi patenteada em 1909 e, anos mais tarde (1935),o negócio foi herdado pelos seus 2 filhos Víctor Manuel e José Agapito. A casa continuou a ganhar fama e tornou-se um ponto de encontro, por excelência, em Lisboa, com indivíduos de todas as classes sociais e faixas etárias a reunirem-se na Ginja Sem Rival para um copito e dois dedos de conversa. João Manuel Lourenço Cima foi de facto um cúmplice no vaivém da metrópole, numa altura em que Amália ainda era uma menina que vinha de porta em porta, descalça, vender limões, ali adquiridos para aromatizar o refresco de capilé. Fez também muitas amizades, sendo que uma delas acarreta uma história interessante: um dos clientes habituais, Eduardo, palhaço de profissão no Coliseu dos Recreios, costumava fazer a mistura de vários dos licores da casa num mesmo copo. João decidiu criar um novo licor, o desde então famoso licor Eduardino, após provar a bem-aventurada combinação, em honra e como agradecimento ao seu amigo e palhaço Eduardo. É por tudo isso, considerado o licor genuinamente alfacinha, sendo marca patenteada desde 1908.

O negócio permanece na mesma família, e Nuno Gonçalves representa já a quarta geração, como fabricante de licores. Encarregaram-se de continuar a cultivar o bom ambiente e nome da casa, assim como a produção apoiada em produtores portugueses de fruto de ginja, espalhados um pouco por todo o país.
Esta é uma casa que se encontra presente em todos os roteiros turísticos. O pequenino balcão enche rapidamente, com os clientes de sempre, ou turistas nacionais e internacionais que não resistem ao apelo do pitoresco e tradicional estabelecimento. Nas palavras de Nuno: 'do mais rico ao mais pobre, toda a gente bebe um copo de ginjinha, ou de Eduardino, quando passa nas Portas de Santo Antão'.  
Ginjinha sem Rival

 

2018-06-11T16:57:24+00:00